Quarta-feira, Março 31, 2004

Marta, Marta.... 

Dizem que futebol, religião e política não se devem discutir. Como a gente é menina desobediente e já falou de futebol e de religião, eu, motivada pela nossa ilustre prefeita, vou meter o bocão na política.

Opinião Pública e Prestação de Serviço

Desde menina, todo mundo ouve Jovem Pan lá em casa. AM, bem entendido. A Jovem Pan AM é um dos veículos de comunicação mais sérios e com mais credibilidade do país. A campanha contra as drogas que eles têm feito nas escolas do país foi reconhecida pela UNESCO como uma das iniciativas mais louváveis no combate ao vício.

Muito bem. Há cerca de duas semanas a Pan divulgou uma enquete realizada junto a seus ouvintes e suportada por um Instituto de Pesquisa de Opinião Pública, sobre o índice de aceitação dos possíveis candidatos à Prefeitura de São Paulo. O maior índice de rejeição (se não me engano 62%) pertence à atual prefeita, Marta Suplicy (que não é mais Suplicy e todo mundo sabe). O PT conseguiu uma liminar proibindo a Jovem Pan de divulgar essa enquete. A Jovem Pan leu no ar a íntegra do texto da liminar concedida por um juiz e anunciou que ia tomar as medidas cabíveis.

Trânsito e Caos

Todo mundo que é paulistano sabe o CAOS em que está mergulhada a cidade. A Garota Botox conseguiu tornar o já ruim trânsito ainda pior, com os canteiros de obras simultâneos. Mãe de roqueiro, ela está no melhor momento Titãs: TUDO AO MESMO TEMPO AGORA. São as benditas obras na Cidade Jardim, Rebouças, Funchal, e agora na Ibirapuera. Anteontem quebrou um ônibus na Cidade Jardim, na única pista trafegável, e a Cidade parou, com 106 KM de Congestionamento às 10:30 da manhã.
Se somarmos a isso a buraqueira doida das Avenidas, temos o cenário perfeito da babel motorizada.

Informação e Manipulação da Mídia

A mesma Jovem Pan que está proibida de dizer que a Prefeita tem alto índice de rejeição, ontem foi vítima de mais uma tentativa de censura, no melhor estilo anos 70: o posto de observação avançada, ocupado há pelo menos 20 anos pela rádio no prédio do Detran, de onde os repórteres informam os ouvintes sobre as sempre péssimas condições de trânsito na 23 de Maio, Ruben Berta e Washington Luiz, ontem amanheceu LACRADO, com os equipamentos desligados.
Gilmar Tatto, nosso ilustre secretário dos transportes, afirmou em declaração à imprensa que há repórteres que trabalham contra a população, piorando deliberadamente o cenário do trânsito na cidade.

Tô com o Nêumani. Se nenhum "repórter abelhudo" disser no rádio que há congestionamento, então não haverá congestionamentos. Ficaremos horas parados num trânsito ilusório, com os carros danificados por buracos que não existem. Se ninguém disser que a popularidade da Garota Botox está em baixa, então todos os paulistanos estaremos felizes com a Cidade na M... do jeito que está.

E se é pra reviver os anos 70, então vou querer uma Rubem Berta sem trânsito, um ar menos poluído do que é hoje, a possibilidade de andar com os vidros abertos, uma barrinha de Chocolate Wonka. Porque o que estão me dando é só o pior dos dois mundos.

Terça-feira, Março 30, 2004

CONDENADOS AO FOGO DO INFERNO 

Novos mandamentos?
Na minha opinião, brasileiro comunga da dinastia religiosa bem ao estilo “já que está que fique”. Nessa aba, a santa igreja católica (jargão da própria igreja, que fique bem claro) é a facção que acaba abarcando a preferência nacional. Segundo o censo 2000 do IBGE 73.8% dos brasileiros ou 125 milhões são católicos, 15,45% ou 26 milhões são evangélicos e 7,3% ou 12,3 milhões dizem não ter religião.
Sem hastear bandeiras contra ou a favor, apenas me sentindo no direito a estar indignada com as últimas regras IMposta pelo papado, abro aqui a discussão: Religião X Sociedade: até onde?

Não jogarás, nem se divirtirás aos Domingos
O Papa João Paulo II, 83 anos disse, Sexta (26/3) que “os domingos devem ser dedicados exclusivamente a Deus, e não as atividades secundárias, como diversões e esportes. Quando o domingo perde seu significado e fica subordinado a um conceito profano de fim de semana, dominado por atividades de diversão e esportes, as pessoas ficam presas em um horizonte tão estreito que mal podem enxergar os céus.”(SIC)

E mais: criticou ainda a cultura do aqui e agora, encorajou os cristãos, especialmente os jovens, a frequentarem com mais assiduidade as missas aos domingos e afirmou que a cultura secular está enfraquecendo a vida familiar.
”Solicito aos líderes da Igreja que tirem os homens e as mulheres das trevas da confusão moral e da ambiguidade de pensamento.
PS. Na adolescência, ele jogou futebol na Polônia.

Não usarás preservativos
Dezembro 2003
O Vaticano defendeu a polêmica posição contra o uso de preservativos, dizendo que fidelidade, castidade e abstinência sexual são as melhores formas para impedir a disseminação da Aids em uma "sociedade pansexual".
Fato: A Igreja Católica opõe-se aos métodos contraceptivos artificiais, incluindo a camisinha, que, segundo o Vaticano, promove a promiscuidade.

Não amarás nem se unirás a pessoas do mesmo sexo
Agosto 2003
O Vaticano lançou, em Agosto de 2003, uma campanha global contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, emitindo um documento em que o chama esse tipo de relacionamento de “desvio e ameaça à sociedade” (SIC).
"O casamento existe somente entre um homem e uma mulher. É sagrado, enquanto atos homossexuais vão contra a lei moral natural", diz o documento de 12 páginas.

Pergunta: qual é mesmo o papel da igreja ou melhor da religião em nossas vidas?

HAJA PACIÊNCIA 

Paciência = pedreiros, marceneiros, pintores, encanadores e afins em sua casa com você dentro. Alguém discorda?

PS. Qualquer semelhança com afirmação anterior, com certeza, não é mera coincidência!

Segunda-feira, Março 29, 2004

Maria Clara Diniz e outros etecéteras 

Galera do Bóbis
Hoje o dia foi punk, e eu já tava na minha cama, pronta pra dormir, vendo a novela das oito. Aí, num güentei e tive de vir aqui desabafar no Bóbis.
Como já declarei em um dos primeiros posts daqui do Bóbis, eu adoro novela, especialmente os novelões no estilo da Glória Perez, herdeira da minha ídola Janete Clair. Portanto, as observações que se seguem abaixo não são fruto de alguém que torce o nariz para as mirabolantes tramas globais.
1. Atualmente, qualquer grávida que vá ao Posto de Saúde mais próximo descobre logo nos primeiros meses se está grávida de gêmeos ou não. Até mesmo aquela que fica na fila do posto de saúde do Largo 13 de Maio, coração de Santo Amaro. Pois em Celebridade, Darlene Sampaio, teoricamente grávida de um atleta famosérrimo, perseguida pelos jornalistas, só conseguiu descobrir isso às vésperas do parto! No último ultra-som, pode?
2. Ainda no capítulo grávidas desavisadas: Maria Clara Diniz, aquele poço de chatice (deviam mandá-la pro paredão junto com a Solange, ia dar empate!), já perto dos 40 anos de idade, gestante que já sofreu um aborto no passado, aventura-se sabe-se lá Deus onde, nos dias estimados pra criança nascer, barrigão modelo melancia, pra fazer ninguém sabe também o quê. E mais! Tem o bebê numa cabana abandonada, com o Hugo fazendo o parto, usando um canivetinho que ele esterilizou fazendo uma fogueirona. Podiam ter deixado este capítulo pra passar na noite de Natal, não podiam?
3. Alguém, por favor, ligue pra OAB e interdite aquele advogado! Qual? O da Maria Clara Diniz, que é o mesmo do Cristiano. O cara não ganha uma! Conseguiu fazer com que sua cliente perdesse toda a fortuna num país onde a Justiça se arrasta indefinidamente. Fez o Cristiano perder a guarda do filho, uma das coisas mais difíceis de se acontecer quando não há maus tratos comprovados e ainda assim, olhe lá! Quer apostar como ele ainda vai continuar advogando até o final da novela pra todo mundo do Andaraí, bairro com a maior densidade populacional do Rio de Janeiro (até eu, leitores bobianos, já morei no Andaraí!)? Por isso que tá todo mundo sem grana por lá...
4. Mariazinha Clarinha Dinizinha. Não, não tô falando da filha da Maria Clara Diniz que nasceu no capítulo de hoje. Não sou tão venenosa a ponto de falar assim de uma bebezinha, vai que descontam na minha afilhadinha Alice, cruzes! Tô falando da sobrinha, a Sandrinha. Tudo inha. Uma graça de atriz, mas é aquela coisa: boazinha demais, gente boa demais, de uma hora pra outra teve de parar de estudar pra ralar o coco, andar de ônibus e não de motorista e morar de favor na casa da sogra! E nem um pingo de revolta no seu coraçãozinho. Ela certamente vai continuar a saga, quando passarem Celebridade 2, o papel principal será dela.
5. Com tudo isso, não é de se admirar que tanta gente torça pela Laura, né? Pelo menos ela fala palavrão, sente inveja, ciúme e raiva, igualzinho a gente...

PS: Roberto Pirilo, eu torci tanto pra você se casar com a Escrava Isaura e agora você dá rasteira na genteboapracara... da Maria Clara Diniz??? Niguém merece!


Pensamento do Dia 

"O valor de um homem está no que ele oferece, não no que ele é capaz de receber."
Albert Einstein

We, The Bobis II 

People

Esse era muito grande pra comments, então a gente postou aqui.
Texto do Luiz Antonio, amigo da casa.

Danou-se! As meninas do Bóbis dizem que tem banquinho, que a gente pode nele se aboletar e então, resistir, quem haveria de? EU não resisto. Esqueço a timidez, arrasto o confôrto oferecido, cruzo as pernas com ares de pretensa elegancia e digo a mim mesmo que são confluências planetárias ou a tábua das marés que aqui me trouxeram. Bobagens, claro. Vim aqui porque venho todo dia pra ler a Luciana que não conheço mas sei que é a mãe da Alice. E alguém que tem uma filha que se chama Alice e escreve como ela, Luciana, já me basta, contenta, e voto nela prá seja lá o que for. Venho também pra ler a Claudia, a quem tampouco nunca fui apresentado e que, com ou sem apêndice, é mais intimista, que manda beijo na boca para amigos queridos. Porque é que tenho a impressão que Claudia é pessoa de chôro fácil, de sentimentos exacerbados? Não, não a desmereço em pensá-la assim, porque de choro, meninas, convenhamos, eu entendo à beça.
E, finalmente, eu venho aqui pra ler Andréa. Vou falar o quê de uma pessoinha com 3 metros de altura? Andréa é...é...é um escândalo de gente bonita que chega a dar vergonha do tanto que se gosta dela.

Pronto! Sexta à tarde eu fico assim e me vêm essas escandalosas vontades de dizer a algumas pessoas de como delas gosto ou admiro. Certamente é culpa do passarinho na árvore defronte minha janela que canta e ensaia vôos rasantes exibindo-se a alguma namorada que, faceiríssima, nunca aparece. O danadinho fica à espreita e quando se dá conta de meu olhar vai-se em disparada me deixando a funda impressão de que se ri de mim. Só não sei se é porque ele tem namorada a quem exibir-se ou porque é Sexta e eu, ainda, não aprendi a voar.

Sexta-feira, Março 26, 2004

We, The Bobis 

Está acontecendo uma coisa bem legal: estamos criando vínculos através do nosso Bóbis. Sentimos falta quando não achamos aqui nenhum rastro do Arlindo, da Pops, da Ca, do Flavio, da Reox. Até da Mi, que anda bem suMIda. São nossos amigos, puxa vida, gente que tem compartilhado um montão de coisa com a gente!
Então achamos que já era hora de uma apresentação básica: We, the Bobis, somos de fato três. O G3, pra invejar a turma do Nando, que é o G7. Somos Andrea (a Lala), Luciana (a mãe da Alice) e Claudia (a moça sem o apêndice). Na verdade, somos quase quatro, já que Alice está quase pronta e também dá seus pitacos mirins.
Gostamos de pensar que somos mesmo aquilo que escrevemos aí em cima: Meninas vaidosas, chiques e com cérebro. Mas agora, mais que tudo, somos meninas vaidosas, chiques, com cérebros, e cheias de amigos legais pra caramba!
Já que você veio até aqui, porque não puxa um banquinho e vai ficando?

PS da Lu: Aproveite o conforto do banquinho e conte pra nós um pouco sobre você!!

BOLÃO BÓBIS BBB4 

Você não assiste novela, muito menos BBB4? Tudo bem. Tem todos os argumentos do mundo para ser contra aquela pantomina? Tá bom.

Mesmo assoberbado demais para essas coisas mundanas vamos lá, se esforce e diga ao BÓBIS qual o seu palpite para a final e para o vencedor dessa peleja que já está chegando à marca de três meses.

Thiago, Cida, Juliana ou Solange?? Quem leva 500 mil para casa? Façam suas apostas!

PS. com a estratégia de uma prova para a liderança da semana se arrastou até a manhã de hoje, o "país" acordou na expectativa. Segundo boletins informativos de diferentes emissoras de rádios, o site da globo.com esteve, durante várias horas, congestionado. Desde as 9:47 dessa manhã os telespectadores já pureram respirar aliviados, ou não, com a vitória do único menino da casa, Thiago. Mais infos sobre o BBB4.

Quinta-feira, Março 25, 2004

Piada Interna 

São Paulo ganhou ontem!!!!! Eu, que sou tricolor desde pequenininha, tô bem Feliz!

Ditados 

Recebi isso e acho que vale o registro:

Ditado Masculino:"Antes ser feio como o Belo e comer a Viviane Araújo que ser bonito como o Gianechini e comer a Marília Gabriela".

Ditado Feminino: "De que adianta ser bonita como a Viviane Araújo e dar pro Belo? Melhor ter a cara da Marília Gabriela e dar pro Gianechini".

De minha parte, sou mais a Marília Gabriela. Em todos os sentidos. Mesmo que ela não desse pro Gianechini.

Quarta-feira, Março 24, 2004

SOPA DE LETRINHAS 

Ainda criança, me lembro de ouvir, nos comentários dos adultos, nos telejornais e, um pouco mais tarde, ler nas manchetes palavrinhas como guerra entre palestinos e israelenses (?), extremistas religiosos (?), fanatismo islâmico (?) atentados terroristas (?), IRA (?), ETA (?) ... Mesmo sem sentido essas palavras acabaram se tornando familiares. Mais tarde, um pouco maiorzinha, continuei buscando compreender como é que essas elas sobreviviam durante anos (anos no meu mundinho. Décadas, séculos na história da humanidade).

Recentemente, após o atentado de 11 de Setembro, elas mais do que nunca, (lembrando sempre que a referência tempo leva em conta apenas minhas três décadas de vida!) ganharam contorno. Confesso que mesmo tentando entender, com olhos, ouvidos e vontade de adulto, elas ainda me parecem um amontoado desconexo de letrinhas.

Na contramão
Lendo um artigo de Richard Clarke, autor de Against All Enemies: Inside America's War on Terrorism, para a revista Time, ensaiei um primeiro raciocínio sem muita consistência, com parcos argumentos e, certamente, todos ingênuos e infantis para entendidos no assunto.

Em minhas três décadas de vida concluo que: os grupos são os mesmos, as ações idem, os resultados, como sempre, devastadores. As palavrinhas se alternam entre si: hora ETA, outras IRA, umas vezes Grupos Terroristas, com frequência Atentados e os discursos buscam, assim como eu, entender o que que isso tudo significa. Estudiosos, pesquisadores, historiadores, formadores de opinião, políticos, economistas... e...nada. Na minha infantilidade intelectual, penso: não estamos andando em círculos? Ou melhor, na contramão dos fatos e da própria história. Não seria mais prudente entender a causa que o efeito e tentar “corrigí-lo”?

Como jornalista, vejo que cada vez mais a mídia dá munição para que essas ações continuem. Se não foi a Al Qaeda a responsável pela bárbare em Madri, em Março último, isso tem um significado ainda pior. Impulsionados pela aparição e pelo “culto” da mídia e do homem em enaltecer essas ações, outros ETAS/IRAS/TERRORISTAS e afins estão se formando. Estão aprendendo que as ações precisam ser contínuas para não cairem no esquecimento. Não nos esqueçamos que, em comum, estamos lidando com segmentos extremados. O que fazer? Não reportar os fatos? Sinceramente não sei. Mas entendo, na minha ingenuidade, que estampá-los nas capas parecem não estar sendo muito útil e talvez, apenas esteja suscitando mais ações e mais medo.

Como leitora chego a conclusão que não é tão simples, como nos fez acreditar o Sr. Bush, controlar, enfraquecer e aniquilar as redes do mal como a de Bin Laden. Pior ainda, conforme analisou o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, em um memorando interno distribuído no Pentágono, os radicais estão se multiplicando tão rapidamente que é simplesmente impossível prendê-los ou matá-los todos. O que quer que nós façamos contra os membros originários da Al Qaeda, uma nova geração de terroristas semelhantes a eles está crescendo.

Será que Alice, minha filha, está fadada a herdar essa sopa de letrinhas indigesta?

PS. Em tempo: meu sobrinho perguntou se “homem bomba” é aquele que nunca passa de ano. O que respondo?

Segunda-feira, Março 22, 2004

Ayrton Senna do Brasil 

Achei que não pudesse escrever sobre isso. Sabe, de todas as pessoas que nunca conhenci, essa mexe mais comigo. Sou 100% emocional quando o assunto é este homem, portanto ninguém espere ler nada com muito sentido.
Sábado fui ao show. Irineu, coisa mais querida, me deu um par de VIPS. VIP mesmo, já que sentei ali juntinho da Ana Maria Braga, dos Sennas todos: a Viviane, o Leonardo...

Em dado momento, percebi que tinha ido ao show só pra chorar. Chorar com a musiquinha tantantan e o Galvão Bueno abrindo a noite, gritando "Lá vem ele, pra mais uma bandeirada! Ayrton Senna do Brasil!". Abri o chorador e ainda não fechei direito. Eu, que nem gosto do Galvão, fui arrancada do Pacaembu e levada pra sala da minha mãe, dez anos atrás, eu de pijama, tomando café da manhã e ouvindo essa mesma gritaria: "Lá vem ele!"...

Quando ele foi pro céu, entrei em processo de negação. Achava que se dormisse e acordasse, ia perceber que eu tinha só sonhado e que domingo que vem tinha mais. Chorei bem quieta no meu canto, que nesses tempos ainda tinha vergonha disso. Mas tem coisa que a gente não esquece, e a sensação original volta cada vez que a gente se lembra. Por exemplo, não esqueço, meados de junho, uma conversa da minha mãe com um amigo meu:"Ela sempre tem asma, mas ela está pior desde que o Ayrton Senna morreu". Também não esqueço da fila de gente em silêncio, olhando pro chão, enquanto caminhava devagar pra entrar na Assembléia Legislativa.

Depois da tristeza toda, começaram a chegar as notícias: que eram não sei quantas crianças, que tinham sido não sei quantos milhões investidos ao longo de sabe Deus quanto tempo. Nada que a gente que não é nada, soubesse.

E então veio a Viviane, que mulher é essa meu Deus? e fez o que ela fez. O Instituto que tem o nome do irmão dela e o sangue dela própria faz 10 anos este ano. São 4 milhões de crianças e adolescentes cuidados durante este tempo. QUATRO MILHÕES. Sabe lá o que é isso? transformar a vida de quatro milhões de pessoas, que de outro modo talvez nunca tivessem uma chance?

E então, quando a gente pensa que o Brasil inteiro vai parar para chorar novamente, afinal são 10 anos sem o Ayrton, lá vem Viviane outra vez, e transforma o ano da choradeira em um ano de ação. Um ano em que em vez de lamentar a perda, os esforços e a mídia se voltam para lembrar as qualidades que fizeram dele um campeão, e desenvolver isso nas novas gerações. Em vez de choro, ação.

Eu me sinto pequena quando vejo isso tudo. E como diria Drummond, é gente como essa que bota a gente comovida como o diabo.



Sofrimentos diversos 

Há vários tipos de sofrimento neste mundo.
Neste post vamos falar de pequenos sofrimentos que não chegam a ser uma tragédia, mas que volta e meia tiram o sono de seus proprietários.
A festinha de aniversário de 60 anos do pai, que vai ser no dia seguinte. Será que vai dar tudo certo? Será que vai cair um pé d'água e estragar o churrasco?
O novo pretendente que ainda não é conhecido, que em breve será posto na fita: eu vou gostar dele, ele vai gostar de mim?
A espinha que nasceu na testa, mais uma...
O quilinho a mais que não vai embora...
O emprego desejado que não saiu...
O curso no qual se inscreveu e não sabe se vai ser capaz de acompanhar...
Aquela fofoca quentíssima que estamos loucas pra espalhar, mas não podemos, senão vamos prejudicar quem nos contou implorando segredo...
Sob a ótica desses pequenos sofrimentos é que me solidarizo com a Luma de Oliveira.
Ter um caso com aquele gostoso do corpo de bombeiros e ter de dizer pra todo mundo, sob pena de se dar mal no divórcio litigioso, que NEM NOTOU aqueles olhos azuis, aquele porte de meu herói, aquelas pernas, aquela barriguinha de tanquinho, é pra roubar váááárias noites de sono de qualquer uma, não?

Sexta-feira, Março 19, 2004

Qual é sua graça, por obséquio? 

Me desculpe se esse for seu caso. Mas tem coisa mais triste que pai e mãe que, não contentes em juntar gametas, querem juntar também os nomes na hora de batizar os filhos? Eles acreditam que o filho tem que carregar o ônus da união pela vida afora.

Aí nasce gente que fica chamando Cleidomar, Juriscleuza, Arlodete. Claucles. Adrionor.

Isso não se faz. Com tanto formatinho pronto que tem por aí, tanto lugar pra neguinho colar e achar um nome pro seu rebento, ficam fazendo alquimia com letrinhas.

Por outro lado, tem coisa mais bonitinha do que se chamar Maria? As pessoas perguntam seu nome e você responde: é Maria. Fica doce. Fica uma graça. Todo mundo entende, ninguém precisa que soletre, ninguém pergunta se é com th.

A pessoa fica mais importante que o nome. Um nome como Maria, não traz em si nenhuma impressão: todas as impressões ficam por conta da pessoa.

Mas se você se chama Mariodoneide, não tem pra onde correr. O nome já vem com uma carga, com todas as (más) impressões do planeta. Não tem Mariodoneide neste mundo que consiga salvar a pele depois de anunciar sua sina. Neste caso, tem mais é que enfiar o pé na jaca, até o pescoço: Minha graça é Mariodoneide. Sua Criada.

E rezar, pra nascer mãe dos pais na próxima encarnação, pra poder ir à forra: batizar de Jennifer Krystine ou Roberts Kemps.

Beijo na boca 

Outro dia estava eu com uma amiga, que iria se encontrar com um conhecido comum a nós duas. Eu disse a ela então que mandasse a ele um beijo... na boca.
Ela mandou.
Aí depois eu fiquei pensando nos motivos que me levariam a dar um beijo na boca de um homem.
Não tô falando de beijo baladeiro, de onda, de farra, nada disso.
Tô dizendo beijo pra valer.
E cheguei à conclusão que um homem, para merecer de mim um beijo na boca, não precisa ser obrigatoriamente lindo, poderoso ou algo que o valha.
Mas precisa ser inteligente, simpático, envolvente, charmoso, atencioso.
Precisa fazer por merecer o beijo, sem que este merecimento venha de atos, mas da certeza de que este beijo teria pra ele valor, como teria para mim.
O destinatário em questão do meu beijo na boca é alguém que eu definiria como ENSOLARADO. Lembram-se da Família Adams que andava com uma nuvenzinha chuvosa na cabeça? Ele parece andar sempre com um raio de sol o iluminando.
Eu o acho muito bonito, mas nem sei dizer se esta beleza é mesmo física ou é decorrente da admiração que sempre senti por ele, mesmo quando nem sabia que o admirava tanto assim.
Não o vejo há pelo menos uns 3 anos! Ainda assim, ele continua merecendo meu beijo na boca.
E você, quem mereceria de você um beijo na boca?

O FIM DA ESPERA 

Você não sabe por quanto tempo te esperei. Não avalia a ansiedade em que estava meu coração aguardando a tua chegada.
Nos últimos tempos, antecipando tua presença, mal podia dormir. A respiração andou me saindo curta e eu sentia uma dor na pele. Tua ausência estava insuportável para mim.

E é por isso que hoje, aqui na frente de todo mundo, eu me rasgo todinha em alegria e agradecimento a Deus, porque você chegou. Sexta feira, eu não aguentava mais te esperar!


Quarta-feira, Março 17, 2004

QUER PAGAR QUANTO? 

Mais uma do mundo marketing!

Você pode não gostar do jargão, do gingle, do garoto-propaganda (ex-TV Cultura, programa O Professor, lembram?) mas você vai ter que aceitar o fato de a Casas Bahia ser, atualmente, a empresa líder no segmento C, D e E usando para isso, ferramentas muito peculiares. Vamos aos fatos.

“Bahiano” pra gringo ver... rever, anotar, estudar, admirar ...
Da Universidade de Michigan, a equipe do professor indiano C.K. Prahalad, um dos mais respeitados homem em estratégia de mercado, veio ao Brasil para entender o que que a Casas Bahia tem. Viram, anotaram, admiraram e a equação não podia fechar. Com tanto “amadorismo” o resultado é brilhante e a equação fecha redondamente, com números positivos e em ascensão.
Palavras de ordem no mundo dos negócios como reengenharia, terceirização, automação, CRM, internet etc deram espaço à outras como simplicidade, confiança, bate-papo, perdão, compreensão... e não é que tem funcionado. Then, what’s up?

Fenômeno no varejão popular ou, como gostam de empompar os gringos, na base da pirâmide, a rede vem crescendo e aparecendo mesmo que na contra-mão das teorias experimentadas e consagradas em grandes centros acadêmicos. Ao apostar na compreensão das necessidades emocionais e hábitos de compra de seus clientes a Casas Bahia ignora as tendências de negócios e aposta nas habilidades do ex-mascate e fundador da rede Samuel Klein. Sem internet, com frota própria para entrega e uma fábrica que produz seus móveis, a empresa faturou, em 2003, 6 bilhões de reais, já possui 350 lojas e mantem sua sede em São Caetano do Sul, como no início. Ainda fora do manual de empreendedores de sucesso acredita na administração centrada no patriarca Samuel e na formação novos executivos nos “bancos” das própria empresa através das lições do dia-a-dia.

Estratégias caseiras
As grandes estratégias e decisões são conversadas na mesa do almoço como a de perdoar, tempos atrás, a dívida de 1 milhão de clientes que estavam “pendurados” no SPC. O plano: a anistia seria concedida mediante a vinda dos devedores à loja para justificar o porque do atraso. Do episódio os analistas da rede aprenderam, na prática e no bate-papo, que a maioria dos faltosos haviam emprestado o nome para terceiros. Com base nesse “estudo” a estratégia de empréstimos da rede foi reavaliada e hoje, na Casas Bahia, crédito apenas se o endereço do cadastro e da entrega do produto forem o mesmo. Simples, não?

Esqueça tudo e volte às origens
· Educar o cliente é garantir a inadimplência em nível suportável, concluiu expantadamente a equipe de Michigan. Bom, esse foi o conceito empolado que os gringos inventaram. Para os vendedores da rede a ordem é vestir o produto no cliente. Funciona assim: se o cidadão chega na loja sedento por uma TV 27” mas o orçamento não cabe nas prestações da pessoa habilidosamente o vendedor convida-o a sentar (nenhuma negociação deve ser feita em pé, anote para a próxima estratégia do seu mega grupo!) e lhe oferece um modelo de 20”. Cadê o mistério? Cliente feliz e loja em dia com o pagamento do carnê.
· Crédito é cheiro, gravou mais essa? Então, aprenda mais essa e tente vender a idéia ao seu chefegenteboatodavida! Nada de programas empolados e caros o negócio é papear. Primeiro, trate a pessoa D como pessoa A, depois seja um analista-terapeuta-policial. Faça com que ela conte tudo a você e descubra o quanto há de verdade no discurso. Exemplo: Se o freguês se apresentar como pedreiro, o analista-terapeuta-policial deverá estar atento a sinais externos de comprovação da profissão como calos nas mãos, respingos de tinta na roupa. Numa segunda fase, deve se pedir dicas sobre como melhorar o puxadinho de casa, qual a melhor argamassa do mercado e por aí vai. Pode parecer um punhado de absurdos mas assim é que tem sido feito na Casas Bahia. Se não tiver convencido, lembre-se do faturamente de 6 bilhões em 2003. Lembrou?

O estudo da equipe de Michagan foi muito mais além e formatou, em 24 páginas, um tratado interessante e sério sobre as táticas simples e efetivas que vêm proporcionando à rede um crescimento galopante, mesmo em épocas de “vacas muito magras” no pastos brasileiros. Atualmente 3% da receita da rede é investido em publicidade. Isso representa um dos maiores orçamento publicitários do país, cerca de 220 milhões de reais, em 2003. Para entender melhor a fatia desse bolo, basta imaginar o orçamento publicitário de 2003 do McDonald’s e do Pão de Açucar juntos! E você, quer pagar quanto?

PS. Para ler, na íntegra, o estudo original da Michigan University, clique aqui.

Terça-feira, Março 16, 2004

FORNO + FOGÃO = MULHERZINHA? 

Venho de uma linhagem familiar onde, tradicionalmente, as mulheres não cozinham. Minha avó passou grande parte da vida, para não dizer a vida toda, costurando e por isso sem tempo para o fogão. Família italiana traz, muitas vezes, o histórico de agregados. E na de minha mãe não foi diferente. Assim, as agregadas cuidavam do forno & fogão enquanto as filhas se encarregavam dos demais afazeres e principalmente dos estudos.

Seguindo o rítmo em casa a dinâmica não foi diferente. Minha mãe passou a maior parte da vida estudando e trabalhando e assim alguém acabou se encarregando da culinária diária. Como eu poderia ser diferente? E para dificultar ainda mais a lida com as panelas, nasci na década de 70 , período em que as mulheres já haviam rasgado os sutiens em praça pública e, mais do que nunca, atividades domésticas estavam proibidas. Cérebro, definitivamente, não cabia na cozinha.

O primeiro arroz...
Convenções, normas e esteriótipos são tão severos e eficazes que dificilmente você vai contra. A mim, cozinhar era realmente um disperdício de tempo. Mas...
Vivendo no exterior, mais precisamente nos EUA, onde comer é sinônimo de matar a fome, a situação passou a exigir revisão de valores. Não era possível arcar com aquele fast-junk-food e continuar minhas disciplinas na universidade como se tudo estivesse na mais perfeita ordem. Não estava.
Foi assim que ensaiei o meu primeiro arroz com carne moída e me iniciei na deliciosa arte da culinária!

Fogão X ascensão profissional
Convencida da delícia que é preparar um bom prato, ao menos um prato, esqueçamos o bom (!), ainda não estou certa que, mesmo com um bom resumè, a maioria das pessoas consiga ler, de forma positiva, minhas idas ao fogão. Em conversas entre amigas, a grande maioria profissionais de primeiríssima linhagem, dificilmente não acabamos encontrando justificativas mil para contar do almoço que fizemos no Domingo, do bolo de laranja que preparamos, da sobremesa caprichada do bate-papo de hoje. Ainda há uma rígida convenção, mesmo que velada, entre nós nos informando que afazeres domésticos e competência profissional/intelectual não convivem no mesmo cérebro. É difícil viver no século XXI, arrastando profundas heranças do século passado e tentando entender para onde mesmo queremos ir. Executivas? Felizes? Donas de casa? Mães? Será que não caberia isso tudo dentro de uma mesma caixinha?

Sonhos 

Eu tava conversando com um amigo, por email, e o assunto era coração e depois, sonhos.
E ele disse que continuava brigando pelos sonhos dele.
E que num relacionamento os sonhos muitas vezes se desencontram, em algum momento, e que quanto mais cedo se começa um relacionamento, mais chances existem desses sonhos se desalinharem.
Aí eu pensei:
- o sonho dele já foi ser o melhor na profissão. E conseguiu.
- o sonho dele já foi ter um carro marca tal. E conseguiu.
- o sonho dele já foi ter uma casa linda. E conseguiu.
- o sonho dele já foi ter uma família. E conseguiu.
- o sonho dele já foi ter estabilidade financeira. E conseguiu.
- o sonho dele foi poder viajar pra lugares legais. E conseguiu.
- o sonho dele já foi ter reconhecimento. E conseguiu.
Uma pena que ele ainda não percebeu que todos os sonhos dele sempre se realizam mas ele não consegue curti-los. E sonha outros sonhos. E os consegue. E não os curte. E sonha mais...

Segunda-feira, Março 15, 2004

As loiras do Zeca Pagodinho 

Zeca Pagodinho se bandeou pra Brahma. Veio com a maior cara lavada em cevada dizer que foi "um amor de verão". Puta sacanagem com o povo da Schin e com o Eduardo Fischer, que ficou com cara de paisagem vendo o Nizan passar a perna nele.
A discussão ficou inflamada. Nego achando que sim, que foi filho da puta (já escrevi puta uma vez, agora já era) sim, que se vendeu por dinheiro, que cuspiu no prato que comeu, e muito bem, diga-se de passagem. Do outro lado, tem um monte de baba ovo dizendo que foi uma jogada de mestre do Nizan, que foi muito esperto, que o Zeca é assim mesmo, fala o que dá na telha.
De minha parte, tô com o saco cheio da tal "imunidade artística" concedida aos famosos. Pisou na bola, ganhou cachê, cagou. Mas como é famoso, a cagada vira excentricidade.
Aí eu pergunto, como perguntei hoje no Blue Bus: E então, vai devolver o cachê? Vai nada. Coisa de picareta.
No final, ficou feio pra todo mundo: feio pro Zeca (a Darlene da história), feio pro Nizan (que acaba de lançar a versão made in Bahia da lei do Gerson) e feio pra Brahma, que encara uma putaria (de novo) dessas. Pronto Falei.

DROGADAS 

Eu nunca usei droga nenhuma. Nem experimentei. E olha que tive por perto, tendo trabalhado muitos anos no "meio artístico". Primeiro morria de medo, depois não tive vontade. Achava tudo muito decadente, o povo que fumava maconha andava mal vestido, o que cheirava cocaína estava sempre no buraco, de modo que sempre associei a droga a um cenário de muito mau gosto.

Mas às vezes leio o histórico das minhas conversas de messenger com Claudia e Luciana, e fico imaginando que nem precisamos de drogas para raciocinar como drogadas.

Se "a seco" conseguimos entabular uma conversa extensa sobre a taxação de calorias importadas pelo governo brasileiro, ou sobre o comportamento vulgar de uma batata inglesa (aquela vagabunda...), imagine sobre o efeito de ácido, por exemplo?

Lembrei disso porque a Lu comentou da nossa suspeita de gravidez da Claudia. Clau com apendicite, e as duas num Looping infinito, e na maior angústia inclusive, porque jurávamos de pé junto que ela estava grávida.

Em cinco minutos demos o diagnóstico, escolhemos o nome, especulamos sobre a reação do pai do bebê, do Pai da Claudia, pensamos no futuro da criança, trouxemos à tona uma discussão seríssima sobre aborto, montamos a escala de baby sitter enquanto Claudia trabalhava. Só não reservamos o quarto na maternidade porque não tínhamos certeza se ela queria parto normal ou cesariana, e se ia querer que o bebê ficasse no berçário ou em alojamento conjunto. Enfim. Cinco minutos de papo, e estávamos tias. Prontinhas para acudir a amiga em seus momentos de enjôo, tão característicos do estado em que ela se encontrava.

E Clau com apendicite. No hospital, tomando remédio pra dor no soro e aguardando a internação. Mas o tal do soro, pra variar, não funcionou como deveria. A droga entrava lá, mas batia aqui!

Domingo, Março 14, 2004

Os amigos 

Galera do Bóbis
nada como uma enfermidadezinha pra gente ver reiterada a amizade que algumas pessoas nos dedicam tão desinteressadamente.
De todos os meus amigos que se desdobraram em atenções e preocupações nesses dias que fiquei internada pra dar à luz o meu apêndice, quero fazer um agradecimento todo especial à Tetê.
Tetê já foi citada aqui no Bóbis e certamente o será muitas vezes. Depois conto do casamento que ela organizou pra si mesma, sem antes consultar o noivo, detalhezinho de nada, ué!
Pois foi Tetê quem me acompanhou ao médico, ficou mofando comigo lá no hospital, güentou o meu choro quando o médico falou que eu não ia voltar pra casa (e o mau humor que veio junto), foi fazer minha internação, acalmou minha mãe lá em Brasília que tava aflita, segurou minha mão, avisou meu ex-marido que eu ia ser transferida de hospital já que eu não queria falar com ele porque tínhamos acabado de quebrar o pau via celular etc etc etc.
E ainda conseguimos dar boas risadas da situação quando eu ainda tava na emergência do hospital.
E só ela pra me ligar, depois que operei, pra perguntar, antes de qualquer outra coisa, se a ambulância tinha me levado de sirene ligada ou não... Mesma pergunta que me fez o Nando, marido da Lu, quando foi me visitar no hospital. Povo anda vendo muito filme americano, não só foi desligada como o enfermeiro foi cochilando lá dentro e o motorista catou um buracão.
Pois é, mas de volta à Tetê, ela foi o máximo e não arredou pé de perto de mim enquanto não estive segura. Isso foi só lá pelas 3 da madrugada e olha que ela tinha saído direto do trabalho pra me pegar em casa.
Vários outros amigos certamente fariam o mesmo por mim, e não me deixariam na mão. Quero agradecer a todos por tanto carinho, personificado na figura da Tetê.
Espero nunca retribuir o favor, e se tiver de ficar com ela de madrugada no hosptial, que seja quando ela tiver seus filhinhos que tanto deseja e merece ter!!!!
Bruno, abra o olho pra não deixar escorrer pelos dedos uma mulher maravilhosa como esta, viu?
Um beijo, Tetê!! E muito obrigada por ser minha amiga!

Sexta-feira, Março 12, 2004

Bóbis que Comemoram! 

Comemoram a chegada do:

Apêndice da Claudia! Nossa amiga Bobiana Clau deu um sustão, e teve uma apendicite serelepe! Ele veio à luz hoje à tarde, e a Clau passa bem e faz naninha lá no Santa Marina.

E COMEMORAM A CHEGADA DO MURILO!!!!!!

Murilo chegou hoje à tarde, na Maternidade São Luiz. Até o "fechamento" desta edição, ainda não tínhamos falado com a Fabiane, linda mãe do Murilo, nem com o Bá, aniversariante do dia e pai babão de primeira viagem!!!!!

Estamos muito felizes porque a Clau está bem e porque o Murilo chegou! A gente não via a hora!


DA MESA AO LADO 

Almoçar sozinha é realmente uma situação incômoda. Ainda não conheci ninguém que goste da situação. Por isso, hora da refeição é realmente, muito mais do que o momento de saciar a fome. É um momento para relaxar e conversar despreocupadamente com os amigos. Não que a gente deixe de papear no trabalho. Mas é que durante o almoço não existe culpa alguma. Ao contrário, deve-se aproveitar ao máximo!

Mas imprevistos acontecem. As vezes, os horários se desencontram e você acaba SEM companhia para o almoço. E lá vai você, sozinha, saciar a fome.

Solitária, a saída é aproveitar a movimentação ao seu redor. Reparar as roupas alheias, o andar desse ou daquele, o volume do prato da pessoa logo à sua frente ou, quando possível, um animado papo vindo da mesa ao seu lado.

Eles também sofrem... é possível?

Com aproximadamente 1,90 de altura, moreno e bem apessoado, o mocinho ao lado pareceia tudo, menos alguém sofrendo dores de amor. A mocinha, amiga, talvez, tentava consolá-lo e as perguntas do moçoilo (que me deixaram surpresa): mas ela não ligou no dia seguinte, o que eu fiz de errado? Será que eu estou sendo atencioso demais? Estou exigindo muita atenção? Mulheres não gostam de ser aduladas? O que está acontecendo?
E por aí a fora...

Difícil entender esse mundo. Tem gente querendo mocinhos assim, jurando que eles não existem e não é que, além de existirem, até sofrem e almoçam, as vezes, na mesa ao lado!!

Quinta-feira, Março 11, 2004

HOT 

Tá crente que vai ler um post erótico né? Fell from the horse, my friend. Até porque o HOT em questão não é exatamente HOT, mas H, o T.

Vamos fazer de conta que H é a inicial de um moço qualquer. Pode ser Henrique, Horácio, Hugo, Herivelto. Só pra fins de ilustração, façamos de conta que o nome do moço é Horácio.

Horácio te liga miando no telefone toda vez. Um vozeirão tem Horácio, mas mia. Sabe homem que mia? oooiii andreaaaaa, aqui é o horaaaacioooooo..... você tá ocupaaadaaa? Pode falar comiiiiigggooo?

E claro, você pode. A gente adora homem de vozeirão miando no nosso ouvido, não adora?

Então Horácio vive cheio de dengos, nhé nhé nhé e tal. Até que um dia você resolve miar também. E liga pra ele dizendo: oiiii Horáaaacio, aqui é a Andreeeiiiinnnnhaaaa.

Neste exato momento, dá-se um click. Tão certo, que você quase pode ouví-lo pelo telefone. E Horáaaaacio, o miante, desaparece quase que por encanto, deglutido por uma fera voraz, que se auto-denomina HORACIÃO, O TERRÍVEL. Só falta rugir. Ele agora te manda bilhetinhos onde assina "Horacião, o Terrível".

No início você fica passada. Depois, passados o susto e a vontade de rir, você entende o que aconteceu: Yin e Yang, Positivo e Negativo, Côncavo e Convexo. As leis que regem a mutação na natureza, agindo sobre você e Horacião, o ex-mião. A partir do momento em que você deixa de ser Mulherão, e mia que nem gatinha, a porção MACHO de Horacião vem à tona. Ruge, estufa o peito, engrossa a voz. Para de miar. Manda bilhetes e assina: Horacião, o Terrível. Para de convidar pra ir ao cinema e quer ver as marquinhas de biquini que o final de semana produziu em você.

Nossa. Você arregala os olhos e pergunta: cadê o gatinho que estava aqui? Horacião comeu. Mas só o gatinho, porque no exato momento em que você vira mulherão outra vez e diz: venha ver as marquinhas, você escuta o barulho: click. E pode esperar, que na sequência vem um miau.

Quarta-feira, Março 10, 2004

Pelo direito de ser ridícula 

Por que a gente às vezes tem tanto medo de fazer papel de boba, mesmo com pessoas que amamos?
Ir para o pronto-socorro de um hospital sozinha, sem pedir ajuda a uma amiga ou ao namorado, porque acha ridículo, uma vez que não tá precisando de ambulância. Por que pedir pra alguém ir junto só pra te fazer companhia seria ridículo?
Cair no choro ao telefone com o marido ou namorado, apenas porque naquele exatinho momento aconteceu algo que te chateou, que você até tiraria de letra, mas quando ele ligou e perguntou o que houve, você quis sim a atenção dele... Por que seria ridículo?
Escolher o nome do seu filho baseado no apelido que aquele nome vai gerar e que você acha lindo de morrer (o apelido, diga-se, o nome é mero acaso). Por que seria ridículo?
Mandar para ele, quem quer que seja o " ele", aquela letra de música que você achou a cara de vocês dois, ou a cara da última briga, ou a cara daquela viagem juntos, não importa há quanto tempo... Também é ridículo? Por que?
Se tudo isso é ser ridícula, reivindico aqui o meu direito de ser completamente ridícula!

Sedução Fatal 

O título acima é de um site dedicado a cursos online sobre técnicas de sedução: como conquistar, seduzir, agradar...
A novidade é que ele é dedicado aos homens!
A primeira reação que tive foi de achar o fim da picada, ridículo, cafona etc. Imagine!
Mas não temos milhares de similares online e offline sobre o mesmíssimo assunto, dedicado a nós, meninas???
E não o consumimos com avidez, mesmo as pós-graduadas, pós-doutoradas, pós-isso, pós-aquilo?? E pensando, cada vez que lemos algo novo: meu Deus como é que eu nunca tinha pensado nisso antes??? Ou então, nossa, isso aqui eu vou por em prática hoje mesmo!
E mais: a gente não vive reclamando que eles não se esforçam pra agradar a gente?
Sugiro então que cada uma de nós mande o link do site pra algum representante do sexo oposto, numa verdadeira Corrente do Bem (já viram este filme?) em prol da felicidade feminina mundial!

www.seducaofatal.com

MIAU 

Imagine duas amigas muito queridas.

Agora imagine que os horários das amigas queridas são um pouquinho mais flexíveis que o seu, afinal elas não perdem hoooras tirando as bolas de ferro das canelas.

Agora imagine que estão as duas, neste exato momento, almoçando juntas.

Você ligaria ou não pra elas a cada 5 minutos pra miar no telefone e reclamar de carência enquanto elas almoçam sem você?

Terça-feira, Março 09, 2004

Encaixotando Andrea 

Eu tinha uma janela. Aliás, janela não, era praticamente uma vitrine aberta pra São Paulo.

Agora, não sei se está chovendo, se já anoiteceu, se o sino gemeu. Mas sei que a gente não ficou feliz a cantar, porque sem janela, sem ver a cara dos outros, só ouvindo tique tique nos teclados, tá complicado.

Acho que a gente sem janela fica sem horizonte.

DE GASES À MONOGAMIA 

Eis aqui a pergunta que abre esse post: “... Até que ponto devemos levar a cabo a batalha entre natureza e educação? ...”, por Andrea Bóbis, em O Pum do Mário.

David Barash e Judith Lipton, um ornitólogo e uma psiquiatra, casados há 25 anos impactaram os pudores norte-americanos com o lançamento, em 2000, do livro Myth Monogamy. Tendo como foco a investigação detalhada do comportamento sexual e “evidências irrefutáveis em todo o mundo animal (sic)” o casal chegou a conclusão de que a monogamia é raríssima na natureza. Não por acaso, as aves foram analisadas atentamentes. Partiu-se da hipótese de que, em todo o reino animal, as aves e os seres humanos eram os únicos a escolheres, por convicção, um parceiro exclusivo. Entre tanto, com os avanços dos exames de DNA ornitólogos de diferentes partes do mundo descobriram que as aves formavam ninhos monogâmicos de fachada uma vez que entre suas crias haviam, inúmeras vezes, filhotes de pais diferentes.

Engrossando o discurso de a monagamia ser uma invensão dos tempos modernos, um freio aos desejos ou, roubando o trocadinho de Andrea Bobiana, “uma batalha entre a natureza e educação”, Reich lembra que a história demonstra terem também existido a poligamia e a promiscuidade sexual, as quais desempenharam papel de grande importância e completa : Quando se tem que admitir que o casamento não é uma instituição natural nem sobrenatural, mas sim uma simples instituição social, tenta-se de imediato provar que a humanidade viveu sempre na monogamia, negando-se quaisquer evoluções e mudanças das formas sexuais. (Casamento indissolúvel ou relação sexual duradoura?”, de Wilhelm Reich, Edição H.A.Carneiro, de Portugal)
Embora muitos pesquisadores, intelectuais e estudiosos sobre a psique humana acreditem que a educação social venceu o desejo animal há bem pouco tempo, a convenção de permitido e proibido, de certo e errado já nos colocou em uma gaiola dourada e, quem sabe, cerceou para sempre nossos direitos mais primitivos. Quem, em seu relacionamento perfeito, casados ou não, nunca sentiu uma atração por um outro alguém? Mesmo que apenas um desejo ingênuo como um beijo roubado, uma noite em um outro colo... E quem já se permitiu a instintos assim sem se condenar eternamente?

Estariam certos os discursos machistas que afirmam que o casamento é sinônimo de “matadouro” e a escolha pública de um relacionamento o fim da realização total?

Segunda-feira, Março 08, 2004

Lembrete 

Pessoal, clica lá no Bóbis Convida....
A gente tá publicando os textos dos amigos lá! Tem dois da Rita Italiano, um da Lu Fernandes, um da Silvia Balderama, um do Paulo, o único menino até agora a postar no Bóbis. Vai lá!

O Pum do Mário 

Nem vem. Não me pergunte "Que Mário", que todos nós aqui temos mais neurônios do que essa bobagem. Tava lendo uma entrevista do Mário Prata (TDBZ) no Elas por Elas, em que ele diz que soltar pum é fundamental para a felicidade conjugal. Neguinho foi à loucura, e há meninos e meninas dos dois lados. Gente que acha que um punzinho aqui ou ali não vai destruir uma relação, e gente que acha que pelamor, vá peidar em outra freguesia, não há amor que sobreviva ao bombardeio gasoso.

Aí a gente para e pensa: não tem nada de glamouroso nem de romântico em mandar os "prrrrs" na frente do moço. Ainda mais quando você está em fase de prospect. Mas a natureza existe, e a gente é modelito serumano sim, tem que soltar os gases, sob pena de implosão. O que a gente faz? Pede licença e vai até ali? E se não houver "ali"? É falta de educação? Até que ponto devemos levar a cabo a batalha entre natureza e educação?

Você ama um homem. Decidiu que quer compartilhar sua vida com ele. Acha o quê, que "compartilhar a vida" significa trocar segredos e jamais conhecer o cheiro do pum dele?

Lembro de um tempo em que eu contava uma piada do cara que, vendado, fazia um montão de puns na frente dos sogros, reunidos para um jantar surpresa. Era batata: terminava a piada e alguém emendava "sabe que uma vez...". Pronto!´Lá vinha outra história verídica de peido. Toda vez era a mesma coisa. E todo mundo ria pacas. Claro, porque todo mundo que é gente, solta pum de vez em quando.

Eu não chutaria um Mario Prata da minha vida por um punzinho. Pra falar a verdade, nem por dois. Pronto, falei.

Perguntinha 

Por que TODOS os textos que circulam pela Internet são de "autoria" do Veríssimo? Mesmo aqueles com narrativa em primeira pessoa, e no feminino?


Mulherãããããão 

Então tem gente que acha a Gisele Bundchen um mulherão. Tem gente que acha que não, que ela é um pouco magra demais pra ser mulherão. Mulherão mesmo é a Claudia Raia. Alta e com sustância. E a gente pode passar o dia inteiro filosifando sobre o que faz de uma mulher, um mulherão.

Paro e penso nas mulheres da minha família. Eu, com 1,70m, sou a mais alta. Minha mãe tem um pouco mais de 1,60, minhas avós tinham isso também mas agora estão encolhendo. Uma já está bem tampinha. E isso faz dela o quê, uma mulherzinha?

Não consigo deixar de achar que venho de uma linhagem de mulherões. A Vó tampinha, hoje com 90 anos, é um mulherão. MESMO. Quando o navio chegou ao Brasil, ela tinha 7 anos, ou nem isso. Comeu o pão que o diabo amassou com a bunda, trabalhou na enxada, ralou pacas. Quando quis ser atriz, fazer rádio novela com Manoel Duarães, a casa caiu. O pai botou pra fora de casa aos trancos. Putana! E lá foi a vó, trabalhar na fábrica, viver de favor.

A outra avó amou. Conta que se apaixonou pelo avô na janela. Ficava olhando, esperando a hora dele passar pra ir pro grupo escolar!!! "Tão bonitinho, de calçãozinho azul marinho". Olha a idade que ela tinha quando se apaixonou, por um menino de calçãozinho azul, que ia pro Grupo escolar. Casou com o menino, quando eles próprios não eram mais que isso. Teve três filhas, e ficou viúva com mais ou menos a idade que eu tenho hoje. Nunca mais. Depois que Deus levou seu menino de calçãozinho azul, ela se resignou. Trabalho para sustentar a casa e só.

Minha mãe. Eu hoje fico imaginando o que seria a logística da minha vida se eu tivesse um filho. Antes de sair pra trabalhar, colocaria a criança no banco de trás do meu carro com ar condicionado, com babá e tudo, e deixaria na casa da vovó pra ela olhar, enquanto eu trabalho. Na saída, passo lá, pego criança e babá, passo no supermercado 24 horas, compro comida pronta e está resolvida a questão.

Minha mãe diz que não se lembra desse episódio, mas eu jamais me esqueci dele. Eu tinha uns 4 ou 5 anos. Minha irmã do meio, um ano menos, e a mais nova, era bebê num carrinho. Fomos à feira. A mãe, nós três, o carrinho de bebê e o carrinho de feira. À pé, claro, que mãe nesses tempos não tinha carro. Também não tinha avó perto pra deixar as crianças. Fomos. Na volta da feira, o carrinho de bebê quebrou e deu uma desmontada. E a mãe ficou lá, com um bebê, duas crianças pequenas, um carrinho quebrado, um carrinho de feira, as compras da feira. Rolou um estresse e não me lembro como foi que ela sozinha resolveu a questão. Ninguém morreu. Mas esse fato me marcou muito, tanto que não me esqueço dele.
E hoje, que é dia da Mulher, é o que me vem à cabeça, quando penso sobre o que é um mulherão.

Domingo, Março 07, 2004

E SE.... 

Existe uma teoria, ou melhor, um exercício às avessas chamado história confractual ou virtual , utilizada por alguns historiadores britânidos e norte-americanos, que utilizando fatos acontecidos expeculam diversas possibilidades, imaginando diferentes desfechos da história “real”. Exemplo, se Maria não tivesse trazido ao mundo o menino jesus como seria a história contada por diversas religiões? E se o automóvel não tivesse sido inventado ou os EUA não existissem, como estaria a economia mundial?

Para os adptos dessa abordagem, esse exercícios é necessário para dar ainda mais crédito à realidade ao se valer da lógica: tal cenário só foi possível porque tal ou tais fatos não aconteceram e SE....

Saindo de um cenário distante e trazendo a lente para o nosso dia a dia, você já parou para pensar em como teria sido se você não tivesse aceito, por exemplo, o seu trabalho atual e sim ido para um outro país tentar a sorte como pensnado anteriormente? Ou, quem sabe, recusado o pedido de casamento daquele namorado que nem era assim “o homem da sua vida” e sim investido na sua carreira de atriz? Ainda mais pontual, se você não tivesse ido à festa desse final de semana, não acordado tão tarde, não comido tanto ou bebido mais... Se você tivesse ligado ao seu pai como prometido ou mandado flores conforme desejado. Ou se você não tivesse pego aquele metrô, não atendido aquele telefonema e não respondido aquele email.

A mesma teoria diz que pouco, ou quase nada teria mudado. Pelo menos no caso das histórias confractuais tentandas e testadas até então. Você acha que SE.... o resultado de hoje seria diferente?

Alguns SEs da Telona
Sliding Doors com: Gwyneth Paltrow, John Lynch, John Hannah, Jeanne Tripplehorn, Douglas McFerran, Zara Turner; Máquina do Tempo com: Guy Pearce, Jeremy Irons, Mark Addy, Orlando Jones, Omero Mumba, Samantha Mumba, Josh Stamberg, Philip Bosco, Phyllida Law e Diana Lee Inosanto; De Volta para o Futuro, a trilogia.

Sábado, Março 06, 2004

Domingão do Curingão 

Amigas bóbinhas (bóbinha=participante do Bóbis que brilham), preciso desabafar!
Meu problema deve ser parecido com o de várias mulheres: arrumei um namorado.
Aí, alguém vai dizer: ué, desde quando isso é um problema???? e eu completo: arrumei um namorado corintiano...
Nada contra o Corinthians. Timão ê ô!!! Nem sou palmeirense nem nada. Mas foi só depois de arrumar um namorado corintiano que eu percebi uma coisa: o Corinthians joga o tempo todo!!!!
Brasileirão, Paulistão, Libertadores, Mercosul, time da rua de baixo contra o da rua de cima, com camisa contra sem... Não importa o campeonato, basta ouvir a chamadinha de um jogo na Globo que é batata! Corinthians contra alguém, alguém contra o Corinthians.
Apesar dele dizer que o amor dele pelo Corinthians não é pelo futebol, mas pelo clube, pelo Corinthians como instituição, ele assiste aos jogos. Todinhos. No estádio? Não, pior: lá no clube, dentro da sede...
Ainda se fosse no estádio, eu até vestiria a minha camisa do Corinthians (sim, eu ganhei uma, tão pensando que é brincadeira?) e iria de vez em quando. Mas concentrado dentro do clube com todos os conselheiros juntos, nem me atrevo.
Minha amiga me aconselhou a arrumar um namorado torcedor do XV de Piracicaba. Acham que isso vai resolver?

Sexta-feira, Março 05, 2004

Senhores do volante 

Dirigir pelas ruas dos grandes centros urbanos exige muito mais que simplesmente domar a máquina. Na verdade, sabendo manter o carro mais ou menos em linha reta, coordenar para que o carro vá para frente e para trás já está de bom tamanho. Difícil mesmo é aceitar o desrespeito e a pouca educação dos motoristas.

Você está atrasado (afinal, esse é o padrão das pessoas de cidade grande. Você pode até ter uns minutinhos de vantagens mas não resiste à sensação de sentir-se sempre atrasado!), o trânsito aquele caos, a avenida que é o seu único caminho congestionada e aquele carro insistênte vem cortando pela direita desde a 1000 metros. Prevendo que a aproximação do senhor (a) volante será inevitável, você se prepara e, mesmo que se espremendo entre outros carros, gentilmente abre espaço ao mais atrasado da avenida e... (...) ... .... ....

Nem um discreto aceno de mão, uma buzinadinha, um chacoalhar de cabeça. NA-DA.
Será que isso sóa contece comigo?

PS. É exigir muito um simples obrigado, mesmo que entre o caos do trânsito?

PSS. “Achismo” meu ou as mulheres são menos simpáticas no trânsito que os homens?


Quinta-feira, Março 04, 2004

Deus é mesmo justo? 

Galera
outro dia eu tava aqui pensando que a gente passa a vida escutando que Deus é justo, que Ele escreve certo por linhas tortas etc.
E continuei pensando que é bem verdade, viu? Tanto que Ele deixa provas aqui e ali da Sua justiça.
Por exemplo; a Ana Paula Arósio. Você olha pra ela e pensa que não há justiça neste mundo. Mas aí, basta lembrar-se de que ela tem um cabelinho bem ruim. Pronto! Deus continua sendo justo, porque se além der tudo ela tivesse um cabelo assim, de Glória Pires, nada nem ninguém me faria acreditar na justiça divina.
Pense na Fátima Bernardes. Linda, talentosa, inteligente, carismática, e ainda por cima, feliz proprietária da outra metade da cama do William Bonner. Antes de blasfemar, lembre-se do cabelinho cuja chapinha japonesa rendeu dias de matérias nos programas de fofocas.
Maria Malu Clara Madder Diniz. Mesmo cabelinho aaaaaaanooooossssss. Ela é besta de mudar e correr o risco de perder aquele TDBZ (tudo de bonzíssimo) do Belloto? Nem...
E a Xuxa? Nem preciso dizer mais, né não?
Formulei, assim, minha própria teoria: quanto pior o cabelo, mais sorte na vida ou no amor. Nasceu com eles lindos, longos e brilhantes? Xi, pode esquecer, taí a Angélica que não me deixa mentir...
Penso que deveria mandar fazer uma peruca de bombril, quem sabe assim, num momento de distração, o moço lá de cima puft!!! Me transformava em chique e famosa da Ilha de Caras? Ou então fazia o Nicholas Cage se apaixonar perdidamente por mim, hein, hein, hein?

Caldeirão no Fogo 2 

O primeiro post do Bóbis era o Caldeirão no Fogo, onde a gente explicava o significado místico do Azeite fervendo no ouvido em nossas vidas. Se você não leu, clica no Arquivo e vê lá.

Muito bem. Hoje trago de volta o assunto, motivada por um mocinho que é hors-concours no tema. Imagine a situação: mocinho enche teu saco pra você sair com ele, e você reluta, afinal já levou um cano uma vez. Mas "não foi um cano, foi um acidente, porque o celular caiu no lavatório e, veja você, por uma infeliz coincidência, a caixa postal também caiu na latrina".

Nego manda email todo santo dia perguntando quando é que vocês vão finalmente sair. Papinho besta pra cá, papinho besta pra lá, você concorda e marca um dia. Afinal, "eu não tô fazendo nada, você também..."

No dia, a 15 minutos do horário combinado, quando você já deveria estar no salão ficando linda e perfumada, mas que ainda está no trabalho, pula um email na sua tela com o seguinte texto: "Infelizmente, terei que participar de uma reunião amanhã cedo em Indaiatuba, e vou viajar pra lá agora então teremos que remarcar nosso encontro. Preciso ir hoje para ensaiar a apresentação .Podemos nos ver dia tal?".

Claro, todo mundo sabe que Indaiatuba fica a 67 horas de vôo de São Paulo, e sempre tem fila na fronteira. Por isso o moço tinha que ir na véspera e não sair com QUARENTA MINUTOS DE ANTECEDÊNCIA COMO TODO MUNDO FAZ! Além disso, uma apresentação comercial para um cliente é quase como um número de sapateado: tem que ensaiar na véspera, fazer as marcações de palco etc. Não dá simplesmente para chegar lá no dia e abrir o notebook.

Diante disso, cometi a indelicadeza de recusar o convite para uma nova data. Eu sei, sou uma bruxa ordinária e impiedosa.
Não porque recusei o convite, mas porque na minha fantasia, não joguei azeite fervendo só no ouvido dele não. Derramei um tacho cheio no saco também!

Quarta-feira, Março 03, 2004

NÃO É RAPADURA, NÃO! 

Cade, a saga.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) resolveu dizer para que veio. Ao menos para o leigo público, apresentou-se no Caso da AmBev 1. Naquela ocasião ao meu ver, veio para abençoar um monopólio no mercado de cervejas. Entre polêmicas e aplausos o “AmBev 1” fechou o negócio entre as cervejarias Brahma e Antártica, em 2000 que juntas passaram a responder por 70% de participação do setor. Vai uma gelada antes...

No mês passado, entre tanto, foi a vez da Nèstle conhecer o Cade. Dessa vez gelada e amarga (nenhum trocadilho à cervejinha!). Ora, sem nenhuma propriedade de especialista em Cade, em mercado de cerveja ou chocolate vamos apenas exercitar nossa liberdade e direito à “especulação da situação posta”.

1) Se o Cade não tivesse azedado o doce da Nèstle, detentora de 29,8% do mercado, a compra da Garoto lhe daria uma soma de 53,7% de participação no setor o que é, em simples matemática, 16.3% menor que o domínio da AmBev em relação à cervejaria nacional.
2) E mais, o Cade bateu o martelo para a AmBev em 8 meses (Julho/99 – Março/00) contra os 2 anos que “enrolou” a Nèstle impugnou uma compra praticamente feita.
3) Vale lembrar, ainda, que no momento em que a empresa alemã arcou com o investimento de 500 milhões de reais (início de 2002) o clima no país e os olhos para o mercado nacional eram de total desconfiança por conta da corrida presidencial e, principalmente, pelo nome de Lula despontando como favorito. Naquele cenário em que o capital externo sumiu e a especulação maior era a saída de dinheiro estrangeiro do Brasil, a Nèstle colocou nota sobre nota para a compra da Garoto, ampliou parques industriais, contratou centenas de profissionais e trouxe um doce gostinho de esperança.

Hoje, a mídia amanheceu alardiando talvez o maior acordo do mercado de cervejaria da história: a negociata entre belga Interbrew que passa a controlar a AmBev e a constituir a maior empresa do mundo no setor de cerveja. E agora, cadê o cade? Ops, o Cade?

AO BARRIGÃO COM CARINHO 

Os mais dóceis e sinceros movimentos podem ser observados sempre que uma pessoa se refere à barriga de uma grávida. Não necessariamente, esses “carinhos” vêm de alguém da família ou de amigos próximos. As vezes, um movimento espotâneo e cheio de cuidados e carinho vem de um “desconhecido” que passa por você e não resiste a linda barrigona.

De onde vem esse encanto ?

Arrisco um palpite com base puramente no “achismo” persistênte de uma futura mamãe inquieta. Crianças e animais são paixões mundiais. Dificilmente, há quem resista ao sorriso de uma carinha sapeca ou ao balanço de rabinho. Por isso, acredito que uma barrigona já delineada – aos 4, 5 ou 6 meses – seja a imagem latente de uma criancinha sorridente com a carinha melecada de sorvete de chocolate. Ao menos é assim que leio os olhos que fitam minha barriga!!!

Barrigão: sociabilizando mães com o mundo

Outro fato gostoso e interessante da gravidez é a sociabilização irrestrita. Mesmo que um desconhecido não se encorage a abordar a “barrigona” fica ali um “olhar sorridente” ou, ao menos, um entortar de pescoço seguindo a redondinha. Essas cenas me levaram à associação de um outro fator socializante: o cão como meio aproximador entre deficientes visuais e o mundo. Uma pesquisa sobre Cão Guia para Cegos fontes revelou que a condução de deficientes visuais por cachorros, na maioria das vezes labradores por suas características mais apropriadas ao trabalho, não só trouxe mais motivação à vida do deficiente que trocou uma barra de ferro guia por um animal, como estreitou o relacionamento entre eles e o mundo. Em vários depoimentos, esses especiais contaram, motivados, que as pessoas paravam encantadas pelos animais e acabavam travando uma conversa animada, positiva, gostosa e , em alguns casos, se tornavam amigas.

Enfim, mais algumas evidências sobre a competência de crianças e animais em tirar de nós os nossos melhores e mais verdadeiros gestos! :o)

E o Zé Estevão, hein? 

Todo mundo tem uma amiga impagável. Eu tenho um monte, mas a bola da vez é essa amiga em particular, mineiríssima, com todos os plug-ins de uma autêntica cidadã do interior de Minas. Divertida, generosa, uma das pessoas mais bacanas que conheço.

Um dia achou que tinha que me apresentar a um amigo que era “a minha cara”. Comunicou a decisão às partes interessadas e combinou um jantar. Na véspera, combinou também uma senha: se você não gostar dele, você me fala que o Zé Estevão me ligou!

Já cansei de combinar senhas com as amigas. Se o cara for chato, uma coça o nariz, a outra imediatamente vai ao banheiro e liga no celular da primeira, que se desculpa pela emergência e sai de fininho. Coçar o nariz, mexer no brinco, espirrar. As meninas em armação são mais ou menos como os meninos jogando pôquer. Temos nossos códigos, e são todos discretíssimos.

Mas daí a “Zé Estevão te ligou!”, vai uma diferença enorme. Já na combinação da senha quase caí da cadeira de rir! Então ela achava que eu diria “Zé Estevão te ligou” com a cara mais lavada desse mundo, sem cair na gargalhada? Na frente de todo mundo, incluindo o próprio? Correndo todos os riscos de ser chutada por baixo da mesa por uma terceira amiga, que, presente na véspera, já sabia bem quem era o Zé Estevão? Não, não, não.

Decidi que, gostasse ou não do moço, não mencionaria Zé Estevão em hipótese alguma.

Mal chego ao restaurante, sou apresentada ao amigo, sento-me, e ela dispara, à queima roupa: Zé Estevão não te ligou hoje?

Empalideço. Olho novamente para o moço e respondo: Ainda não sei, não fui pra casa, não sei se tem recado dele na minha secretária eletrônica.

Oras. Não é assim, de sopetão, que a gente sabe se gostou ou não. Quer dizer: de sopetão, você já sabe se gostou, mas pra não gostar precisa de um pouco mais de tempo. Eu queria pelo menos até a sobremesa pra saber se ia dar liga.

E por falar em liga. Nego tá querendo saber até hoje se Zé Estevão me ligou naquele dia. Mas isso fica entre nós três: eu, o amigo, e o Zé Estevão.

Terça-feira, Março 02, 2004

Cãezinhos sofredores 

Minha amiga Andréa, integrante de fé do nosso Bóbis, tem um cachorrinho, o Frederico que é um cãozinho sofredor.
Eu explico. O cachorro tá lá, na boa, feliz, abanando o rabinho. Basta você falar assim: "coitadinho do Frederico, ele é um cãozinho sofredor, ele tem dores", com a voz mais condoída do mundo, que imediatamente o Frederico em questão começa a gemer e faz cara de quem padece loucamente.
Já eu, durante minha infância e adolescência, tive um cachorrinho pinscher, o Kiko. Kiko, ainda filhote, na casa da minha avó no interior do Espírito Santo, quebrou a patinha dianteira esquerda. Na falta de veterinário, meu pai improvisou uma tala e a pata do cachorro sarou meio tortinha. Quando ele fazia muito esforço, a patinha doía e ele andava em 3 patas, o que nos fazia morrer de dó dele e enchê-lo de paparicos.
Porém, quando ele aprontava alguma e chamávamos sua atenção, sua primeira reação era levantar a patinha e fazer carinha de dor. E quando ele sabia que o que tinha aprontado era brabo mesmo, ele nem esperava pela bronca e já chegava perto de nós com a patinha levantada, carinha de sofredor, gemia até....
Aí eu fiquei pensando em quantos namorados Fredericos existem por aí. E quantos Kikos?
Eu mesma posso dar exemplos: meu ex-marido é igualzinho ao Frederico, sofre e nem sabe o motivo. Já o namorado, atualmente com o pé se recuperando de uma fratura, é a reencarnação do Kiko. Basta pisar no tomate que o pé dói horrivelmente...
E eu me perguntava: por que será que eles agem assim?
Resposta mais que óbvia: porque funciona, lógico!!! Funciona com Frederico cãozinho, vai funcionar com Frederico-ex-marido. Colava com Kiko cachorrinho, imagine se não vai colar com Kiko-namorado???
E a gente segue assim, racionalmente consciente de que eles nem sofrem taaaaaanto assim, mas emocionalmente a postos prum cafuné consolador. E da mesma forma que os cachorrinhos que tão bem exemplificaram este post, no fundo no fundo é só o que eles querem: atenção.


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