Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
QUAL SUA IDADE?
Então é assim: quando se tem 13 anos, torce para os 18/21 chegar. Com a maioridade já se sente os primeiros engasgos no momento crucial da pergunta: qual sua idade? Então, por definição histórica, o padrão é ter problemas com a idade a partir dos... 27...29... Com certeza, depois dos 30, certo? Errado. Padrão é mero conceito quantitativo. Números, estatísticas. Coisa boa para aplicações financeiras e ponto. Gente é outro assunto.
Há os que sofrem de retroinvertidodistúrbiocronológico-fenotípico.
Assim: sabe aqueles casos, parcos, mas não menos importantes e problemáticos de pessoas que passam a vida com cara de 18? Salva as proporções vivi o estigma dos 21 até pouco tempo e posso dizer que não é fácil. Profissionalmente as pessoas não botam fé no seu taco. Sentimentalmente você é sempre vista pelo bonitão como "irmazinha". Tsc, tsc, tsc... Até que um dia, alguém pergunta sua idade, você responde e.... tudo bem. Nada acontece. Nenhum espanto, nenhum "como assim, tá brincando" e você reconhece que, finalmente, a maioridade chegou ! Seja aos 21, aos 25 ou aos 30!!!
Há os que sofrem de retroinvertidodistúrbiocronológico-fenotípico.
Assim: sabe aqueles casos, parcos, mas não menos importantes e problemáticos de pessoas que passam a vida com cara de 18? Salva as proporções vivi o estigma dos 21 até pouco tempo e posso dizer que não é fácil. Profissionalmente as pessoas não botam fé no seu taco. Sentimentalmente você é sempre vista pelo bonitão como "irmazinha". Tsc, tsc, tsc... Até que um dia, alguém pergunta sua idade, você responde e.... tudo bem. Nada acontece. Nenhum espanto, nenhum "como assim, tá brincando" e você reconhece que, finalmente, a maioridade chegou ! Seja aos 21, aos 25 ou aos 30!!!
PAÍS DE DEUS
Ontem fiquei feliz. Cidade de Deus recebeu QUATRO indicações ao Oscar. Fiquei feliz feliz. Por tudo o que o filme representou: pras pessoas envolvidas na produção, todas elas fora da calçada da fama em Hollywood Boulevard; pro cinema brasileiro, com aquela bilheteria que só crescia a cada final de semana. Pro Fernando Meirelles, indicado como melhor Diretor. Mostrando pra todo mundo que é tão bom quanto os figurões de lá!
Tá, a Sofia Coppolla não é figurão. Mas nem vem me dizer que ser Coppolla ou Meirelles é a mesma coisa em Hollywood. E então leio a declaração do próprio Meirelles, que se disse chocado com as indicações. Que esperava "tudo, menos isso". E me lembrei do Nelson Rodrigues, que uma vez disse que o brasileiro sofre de uma espécie de viralatismo. Um povo que tem a humildade tatuada na alma. Eu vou torcer pelo Cidade de Deus, não porque é brasileiro, mas porque é um filme excepcional. Feito de modo excepcional. Excepcionalmente bem narrado, montado e dirigido. E vou torcer, MUITO, pelo Meirelles. Por mim, ele levantaria pra receber a estatueta enquando Clint Eastwood, Peter Jackson e Peter Weir ficam sentadinhos, aplaudindo. E a Sofia, claro. Coppolla.
Tá, a Sofia Coppolla não é figurão. Mas nem vem me dizer que ser Coppolla ou Meirelles é a mesma coisa em Hollywood. E então leio a declaração do próprio Meirelles, que se disse chocado com as indicações. Que esperava "tudo, menos isso". E me lembrei do Nelson Rodrigues, que uma vez disse que o brasileiro sofre de uma espécie de viralatismo. Um povo que tem a humildade tatuada na alma. Eu vou torcer pelo Cidade de Deus, não porque é brasileiro, mas porque é um filme excepcional. Feito de modo excepcional. Excepcionalmente bem narrado, montado e dirigido. E vou torcer, MUITO, pelo Meirelles. Por mim, ele levantaria pra receber a estatueta enquando Clint Eastwood, Peter Jackson e Peter Weir ficam sentadinhos, aplaudindo. E a Sofia, claro. Coppolla.
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
MEU UMBIGO, MEU REI
Fico impressionada como tem gente no mundo incapaz de se focar em alguma coisa além de seu próprio furo abdominal. Às vezes, acho isso uma coisa tão de menino, tão completamente vinculada ao cromossomo Y, mas aí schlapt! Vem uma menina e me esfrega na fuça que essa coisa de Meu Umbigo não faz distinção de cor, sexo, raça, credo. Ser humano não alcança que há mais habitantes no planeta além de si, seus entes queridos e, claro, sua majestade, o Umbigão.
Sejamos sinceras. Se umbigo fosse assim tão importante, não caía logo que a gente nasce. Porque na verdade, Umbigo mesmo ninguém tem: todo mundo perde quando nasce. Cai antes que tudo na nossa vida. Antes que dente de leite, antes que cabelo, beeem antes que os peitos. Já era. O que fica, é a ausência dele, não ele.
Se Freud não tivesse sido um sujeito tão focado naquilo, teria estudado o umbigo antes do pênis. E o tal complexo de castração que ele atribui à mulher pela falta do falo, seria um complexo de ... frustração? Todo mundo teria? Aí os adultos cobiçariam nos bebês aquilo que eles têm e nós não temos?
Sei lá. Umbigo, em síntese, é um buraco. Não serve pra nada. Só pra juntar sujeira.
Que nem essa gente que só olha pra ele.
Sejamos sinceras. Se umbigo fosse assim tão importante, não caía logo que a gente nasce. Porque na verdade, Umbigo mesmo ninguém tem: todo mundo perde quando nasce. Cai antes que tudo na nossa vida. Antes que dente de leite, antes que cabelo, beeem antes que os peitos. Já era. O que fica, é a ausência dele, não ele.
Se Freud não tivesse sido um sujeito tão focado naquilo, teria estudado o umbigo antes do pênis. E o tal complexo de castração que ele atribui à mulher pela falta do falo, seria um complexo de ... frustração? Todo mundo teria? Aí os adultos cobiçariam nos bebês aquilo que eles têm e nós não temos?
Sei lá. Umbigo, em síntese, é um buraco. Não serve pra nada. Só pra juntar sujeira.
Que nem essa gente que só olha pra ele.
EDUCAÇÃO TRADICIONAL X PSICOLOGIA MODERNA
No tempo de Vovó Mineirinha a coisa era assim: pais falam, filhos obedeciam. Na fase de mamãe a idéia começou a ser revista. Na minha época, ficou mais light ser filhos e filhas. De lá para cá, estou falando da década de 70 em diante, a idéia de educação vem sofrendo mudanças. Que venham as boas novas, a modernidade, a psicologia que lê o homem muito além das suas necessidades básicas, exclamavam os filhos das rígidas regras!
Entre Freud e Vovó "Mineirinha" há de existir um equilíbrio, não? E foi pensando assim que a cena entre mãe e filho, em um fast food local ficou latejando na minha cabeça.
Cena: almoço, 13h, fila, Quarta-feira, verão, São Paulo/Capital. Mãe (cerca de 30 e poucos anos) para filho (5 anos no máximo).
Diálogo, ou melhor tentativa de: "filhinho o que você prefere: arrozinho com feijãozinho e carninha, macarraozinho com franguinho, peixinho com arrozinho, macarraozinho com carninha.... quer ovinho? Cenourinha? Tomatinho vermelhinho? Suquinho de laranjinha, uvinha, limaozinho..... Fila parada, "filhinho" em pânico e a povo chiando.
Agora, dá pra calibrar a psicologia de ver o ser além de suas necessidades básicas com o bom senso? Claro que Vovó "Mineirinha" não estava 100% certa. Mas assim...
Entre Freud e Vovó "Mineirinha" há de existir um equilíbrio, não? E foi pensando assim que a cena entre mãe e filho, em um fast food local ficou latejando na minha cabeça.
Cena: almoço, 13h, fila, Quarta-feira, verão, São Paulo/Capital. Mãe (cerca de 30 e poucos anos) para filho (5 anos no máximo).
Diálogo, ou melhor tentativa de: "filhinho o que você prefere: arrozinho com feijãozinho e carninha, macarraozinho com franguinho, peixinho com arrozinho, macarraozinho com carninha.... quer ovinho? Cenourinha? Tomatinho vermelhinho? Suquinho de laranjinha, uvinha, limaozinho..... Fila parada, "filhinho" em pânico e a povo chiando.
Agora, dá pra calibrar a psicologia de ver o ser além de suas necessidades básicas com o bom senso? Claro que Vovó "Mineirinha" não estava 100% certa. Mas assim...
JORNADA DUPLA
Trabalho, família, filho, gato, cachorro... Nem vou cair no lugar comum de repetir o quanto é difícil conciliar tudo e tentar fazer com que tudo sempre ande ok. Todas as mulheres do mundo que trabalham sabem disso.
Mais difícil ainda é quando você sai da condição da esposa e mãe para esposa, mãe e profissional. Dona de empresa pequena. Do tipo que se não faturar, não paga os salários dos funcionários no final do mês.
E aí, no começo, você não sabe bem o que priorizar. Filhos que reclamam sua ausência, por mais que você se desdobre? Trabalho, que exige cada vez mais de você pra dar certo? E o medão de errar e se sentir a mais incompetente das mulheres, que você não serve pra mais nada?
Aos poucos, porém, o bom senso começa a falar mais alto e você começa a conseguir equilibrar melhor os dois lados. E se é boa negociadora na empresa, começa a usar este poder com os filhos. Não, não posso te levar no shopping na hora que você marcou com os amigos porque estarei ocupada. Sim, você pode combinar qualquer coisa desde que me consulte antes. Ok, eu te levo no shopping, mas então você sai de casa uma hora mais cedo comigo porque eu tenho de resolver um assunto da empresa e você mofa 40 minutinhos me esperando na recepção porque não vai dar pra passar em casa pra te buscar...
Complicado? Pode parecer, à primeira vista, e muitas vezes é, especialmente quando eles apelam pra chantagem emocional de "mamãe nem liga mais pra gente". Dá vontade de chorar e até de desistir.
Mas quando você chega na sua empresa e vê tudo caminhando, por causa do seu esforço, quando você fecha um contrato com um cliente que levou meses negociando, quando um trabalho seu é elogiado... é daé que se tiram forças pra responder: "não sejam injustos, e amanhã todo mundo de pé cedinho pra me ajudar a terminar um trabalho urgente que eu tô precisando de mão-de-obra!"
Mais difícil ainda é quando você sai da condição da esposa e mãe para esposa, mãe e profissional. Dona de empresa pequena. Do tipo que se não faturar, não paga os salários dos funcionários no final do mês.
E aí, no começo, você não sabe bem o que priorizar. Filhos que reclamam sua ausência, por mais que você se desdobre? Trabalho, que exige cada vez mais de você pra dar certo? E o medão de errar e se sentir a mais incompetente das mulheres, que você não serve pra mais nada?
Aos poucos, porém, o bom senso começa a falar mais alto e você começa a conseguir equilibrar melhor os dois lados. E se é boa negociadora na empresa, começa a usar este poder com os filhos. Não, não posso te levar no shopping na hora que você marcou com os amigos porque estarei ocupada. Sim, você pode combinar qualquer coisa desde que me consulte antes. Ok, eu te levo no shopping, mas então você sai de casa uma hora mais cedo comigo porque eu tenho de resolver um assunto da empresa e você mofa 40 minutinhos me esperando na recepção porque não vai dar pra passar em casa pra te buscar...
Complicado? Pode parecer, à primeira vista, e muitas vezes é, especialmente quando eles apelam pra chantagem emocional de "mamãe nem liga mais pra gente". Dá vontade de chorar e até de desistir.
Mas quando você chega na sua empresa e vê tudo caminhando, por causa do seu esforço, quando você fecha um contrato com um cliente que levou meses negociando, quando um trabalho seu é elogiado... é daé que se tiram forças pra responder: "não sejam injustos, e amanhã todo mundo de pé cedinho pra me ajudar a terminar um trabalho urgente que eu tô precisando de mão-de-obra!"
FUTIL E INTELECTUAL, PODE?
Esse é o primeiro bobi de um inédito penteado intelectual!
Sejam bem-vindos!!! Entre chapinhas e bobis há muito
cérebro! E quem perder é "mulher do sapo"!
Sejam bem-vindos!!! Entre chapinhas e bobis há muito
cérebro! E quem perder é "mulher do sapo"!
Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
LEIO SIM, E DAÍ?
A frase me ocorreu outro dia, enquanto tentava dissimular a capa do livro que estava lendo na esteira. Eu me peguei lendo às escondidas, pra ninguém ver o que era. Não, não era uma versão ultra-hard do Kama Sutra. Nem um manual de lesbianismo. Era Nora Roberts. Nem sei qual, já que li um monte. Romanção mesmo, tão água com açúcar quanto Chocolate com Pimenta. Só que com (bem) mais pimenta. Fosse Saramago, podia. Uma mulher "na minha posição" pode e deve ler Saramago, Chico, James Joyce no original. Pode ler Exame, Isto É, Carta Capital. Mas experimente ler um só livrinho da Nora Roberts - ou pior, do Sidney Sheldon - e veja o que acontece. É como se você de repente se tornasse uma traficante, uma bandida. Lendo Nora Roberts, hein?
Leio sim. E A-D-O-R-O a maneira como todas as pessoas são bonitas e como os homens são tão firmes, fortes, viris e decididos, como têm o coração mole mesmo com aquela dinheirama toda.
Depois, fecho o livro e volto pra cá. Nem me importo que o coração mole, o carrão, os músculos, ficaram no papel.
Não queria mesmo, tá?
Leio sim. E A-D-O-R-O a maneira como todas as pessoas são bonitas e como os homens são tão firmes, fortes, viris e decididos, como têm o coração mole mesmo com aquela dinheirama toda.
Depois, fecho o livro e volto pra cá. Nem me importo que o coração mole, o carrão, os músculos, ficaram no papel.
Não queria mesmo, tá?
CALDEIRÃO NO FOGO
Uma figura tem estado muito presente em nossas conversas de meninas: a figura do Azeite Fervendo no Ouvido. Funciona assim: o cara te deu um chapéu? Um pé na bunda? Faz chantagem emocional de quinta categoria? Machucou seu coração? Reúna as amigas e decidam quem é que vai segurar o canalha enquanto as outras despejam azeite fervendo no ouvido dele!
Claro que é uma brincadeira, uma maneira que arrumamos de dizer umas às outras "estamos aqui e se esse ordinário te fizer sofrer, faremos com que sofra em dobro!". Mas que às vezes dá vontade, ah isso dá.
Eu às vezes tenho uma fantasia cinematográfica. Cena única: caldeirão preto de ferro no fogo, azeite fervendo, um ordinário amarrado a um tronco em completo desespero, gritando como se as forças do inferno pudessem socorrê-lo, tambores rufando... a mulherada colocando o funil no ouvido dele.... aumenta o som dos tambores....Corta.
No fundo, no fundo, acho que toda mulher queria ser bruxa.
Claro que é uma brincadeira, uma maneira que arrumamos de dizer umas às outras "estamos aqui e se esse ordinário te fizer sofrer, faremos com que sofra em dobro!". Mas que às vezes dá vontade, ah isso dá.
Eu às vezes tenho uma fantasia cinematográfica. Cena única: caldeirão preto de ferro no fogo, azeite fervendo, um ordinário amarrado a um tronco em completo desespero, gritando como se as forças do inferno pudessem socorrê-lo, tambores rufando... a mulherada colocando o funil no ouvido dele.... aumenta o som dos tambores....Corta.
No fundo, no fundo, acho que toda mulher queria ser bruxa.